O luxo sempre esteve ligado à exclusividade, tradição e desejo de destacar-se ou diferenciar-se. Essa definição parece simples, mas a verdade é que ela pode variar um pouco de acordo com o modo de vida de cada um. Por exemplo, para uns luxo é ter acesso a objetos caros e únicos como uma obra de arte, sentir-se prestigiado ou incluido em determinado grupo social, porém para outros o simples fato de ter tempo livre já pode ser considerado Luxo nesse mundo moderno. Nem sempre o objeto de desejo no Universo do Luxo é algo que pode ser materializado. O luxo pode ser imaterial e atemporal. De qualquer forma, é possível observar que o conceito do luxo, para maioria sempre esteve relacionado a coisas caras, únicas e sofisticadas, até mesmo inatingíveis.

Atualmente com a globalização e conhecimento acessível a todos aliado ao surgimento de um novo estilo de vida, a forma de entender o que é Luxo tem sido interpretada de diferentes formas e algumas vezes até banalizadas. Mas alguns pontos básicos permanecem luxo é algo escasso e restrito a poucos .

Christopher Berry, ph.D e professor de teoria política, defende que o conceito de luxo é ligado ao refinamento das nossas necessidades e que o mesmo é universal e independe de modelos econômicos ou momentos históricos. Segundo alguns estudiosos, o luxo (na forma como conhecemos) surgiu justamente disso: da inspiração do homem em aperfeiçoar tudo o que consumia.

Desde a antiguidade o homem buscava se destacar dos demais, usando especialmente coisas belas e luxuosas. No Antigo Egito, a rígida pirâmide social imposta promoveu um acesso exclusivo a certos bens apenas para as famílias dos faraós e os sacerdotes. Somente eles poderiam ostentar peças de ouro, prata e lápis-lazúli (pedra preciosa preferida dos egípcios), inclusive após a morte.

Essa estratégia de reservar os melhores produtos às elites políticas e religiosas também foi usada por outras civilizações. Na Grécia Antiga, os tecidos mais nobres e as tinturas mais raras vestiam apenas os membros da nobreza e eram negadas ao resto da população. Na mesma época, as dinastias que controlavam os territórios chineses guardavam apenas para si os frutos dos avanços científicos.

Durante a Idade Média somente os nobres e membros superiores da Igreja usufruíam das melhores elaborações criadas pelos artesões. No século XV, esses profissionais se agrupavam em oficinas e acrescentavam aos produtos nomes que garantiam (e justificavam) a excelência dos objetos, semelhante ao modo que as grifes de hoje fazem. Com essas oficinas, a burguesia começou a consolidar na Idade Moderna. Porém as regras que impunham diferentes tipos de roupas para cada camada social deixavam de ser bem vistas.

No século XVIII eventos como a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa mudaram a visão do luxo e os hábitos de consumo ligados a ele. A burguesia começa a obter bens que eram até então restritos às cortes e com isso passam a transformar a produção de objetos e serviços de luxo em um modelo de negócio. O luxo deixa de ser algo restrito apenas aqueles que tinham laços hereditários e torna-se objeto de desejo de todos.

No Brasil, o acesso aos bens de luxo, tardou a acontecer. A vinda da Família Real, mal planejada e às pressas, não permitiu que eles trouxessem uma grande variedade de produtos luxuosos. Por conta disso, a corte brasileira acabou adquirindo hábitos mais simples e o luxo ficou restrita as pequenas ocorrências na capital (na época, o Rio de janeiro) e na ida dos filhos das elites para estudar no exterior. Estes quando formados, retornavam ao Brasil já habituado a materiais de qualidade superior. No século XX as peças de luxo chegavam ao Brasil quando alguém trazia de fora. Na década de 90, o Brasil se abriu comercialmente às exportações de marcas internacionais.

Nas próximas colunas vão falar das grandes marcas de luxo e o porquê delas serem consideradas tão sofisticadas e valiosas.

Imagens: reprodução.

Publicado em 18 setembro, 2013

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